



Não sei quantas almas tenho, by Fernando Pessoa – from Novas Poesias Inéditas, 1973 – translated into English and Italian by Enzo Martinelli
© 2025 Enzo Martinelli

🇵🇹 Não sei quantas almas tenho, de Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu.
24-8-1930
🇬🇧 I don’t know how many souls I have, by Fernando Pessoa
I don't know how many souls I have.
I change every moment.
I keep finding myself strange.
I've never seen or found myself.
From being so much, I only have a soul.
Whoever has a soul is not calm.
He who sees is only what he sees,
He who feels is not who he is,
Attentive to what I am and what I see,
I become them and not me.
Every dream or desire I have
Is from what is born and not mine.
I am my own landscape,
I watch myself pass by,
Diverse, mobile and alone,
I don't know how to feel where I am.
That's why, oblivious,
I read like pages, my being
What I still don't foresee,
What I've forgotten.
I notice in the margins of what I've read
what I thought I felt.
I re-read it and say: "Was it me?"
God knows, why I wrote it.
24-8-1930

🇮🇹 Non so quante anime ho, di Fernando Pessoa
Non so quante anime ho.
Cambio ogni momento.
Continuo a trovarmi strano.
Non mi sono mai vista né trovata.
Dall'essere così tanto, ho solo un'anima.
Chi ha un'anima non è tranquillo.
Chi vede è solo ciò che vede,
chi sente non è chi è,
Attento a ciò che sono e a ciò che vedo,
divento loro e non me.
Ogni mio sogno o desiderio
deriva da ciò che nasce e non da me.
Sono il mio stesso paesaggio,
mi guardo passare,
diverso, mobile e solo,
non so come sentirmi dove sono.
Per questo, ignaro, leggo
come pagine, il mio essere
Ciò che ancora non prevedo,
Ciò che ho dimenticato.
Noto ai margini di ciò che ho letto
ciò che credevo di sentire.
Lo rileggo e dico: "Sono stato io?".
Dio lo sa, perché l'ho scritto.
24-8-1930
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Ola
Ola!
profundo kkk, me encontrei em alguns versos e me perdi noutros… Já não sei quantas almas tenho
Este poema foi escrito em anos posteriores e assinado com seu próprio nome. Parece um pouco como uma confissão por usar tantas identidades diferentes.